The Paths of Water and Their Relations: A Dialogue Between Brazil and Norway

Foi publicado um capítulo de livro por uma doutoranda do Núcleo, resultado de uma pesquisa que explora as relações profundas e complexas entre povos indígenas e o meio ambiente, focando especificamente em duas comunidades: os povos Sámi do norte da Noruega e a Aldeia Maraka’nà no Brasil. Esta pesquisa destaca como as mudanças climáticas e a poluição afetam essas comunidades de maneiras distintas, mas igualmente significativas, influenciando suas vidas diárias, suas relações com a terra e a água, e suas organizações sociais.

Povos Sámi e as Mudanças Climáticas

No extremo norte da Noruega, a pesquisa documenta os impactos das mudanças climáticas nos povos Sámi, particularmente no que diz respeito ao aumento das temperaturas e à consequente redução das áreas congeladas e da espessura das camadas de neve. Tais mudanças afetam diretamente as manadas de renas cuidadas pelos Sámi, um aspecto crucial de sua economia e cultura. A pesquisa ressalta como as condições climáticas árticas criaram um ecossistema único e altamente sensível a mudanças, e como os Sámi desenvolveram sistemas de conhecimento únicos sobre o território que habitam, construindo suas identidades coletivas com base em sua relação com o meio ambiente1.

Aldeia Maraka’nà e a Poluição dos Recursos Hídricos

Já na Aldeia Maraka’nà, localizada no Rio de Janeiro, Brasil, a pesquisa foca nos efeitos da poluição do rio Maracanã, que marca a relação da sociedade moderna com os elementos não humanos de seu ambiente, vistos como recursos. A poluição, a sedimentação consequente e a redução do fluxo do rio Maracanã representam obstáculos significativos para a construção da autonomia coletiva da Aldeia Maraka’nà, alterando o modo de vida e as especificidades culturais de grupos que antes dependiam da pesca e agora são forçados a comprar peixe e água de fornecedores externos.

Interconectividade entre Humanos e Não Humanos

Além de documentar os impactos diretos das mudanças ambientais, o capítulo também desafia a visão moderna que atribui agência apenas aos humanos, explorando as relações profundas entre humanos e não humanos. Focalizando em duas comunidades indígenas na América Latina e no Ártico, o estudo ilustra questões de etnia, autonomia e território, enfatizando o papel integral da água e desafiando noções tradicionais de território, oferecendo uma compreensão mais rica enraizada nas cosmogonias indígenas.

Parceria e Contribuições

Esta pesquisa foi desenvolvida através de uma parceria entre a Universidade do Ártico, representada pelo grupo ECO_CARE, e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Agricultura e Sociedade (CPDA/UFRRJ). Natalia Médici Machado foi responsável pelo desenho da pesquisa e pela escrita das seções 1 a 4, enquanto M. P. Poto escreveu a seção 5, e E. M. Murray editou, revisou o capítulo e co-escreveu a seção 1.

O capítulo é um testemunho da rica interconexão entre as comunidades indígenas e seu meio ambiente, destacando a urgência de reconhecer e incorporar conhecimentos indígenas nas pesquisas de sustentabilidade e nos esforços globais para enfrentar as mudanças climáticas e a poluição.

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